Mesmo assim, o que eu respondi quando meu filho perguntou: “pai, o que você faz?“.
Hoje é aniversário do meu filho. 14 anos. E parece que foi ontem. Nesse mesmo dia, doze meses atrás, eu parei para contar pra ele o que eu estava construindo. Me lembro disso, pois naquele dia eu tinha visto a primeira versão na loja Figo Shop. Estava iniciando ali uma nova jornada a ser perseguida. A Figo, ali, ainda era um sonho. Apenas uma ideia em construção. Para mim, porém, ela já ocupava espaço todos os dias: nas conversas, nos planos, nas dúvidas, nas planilhas, nas madrugadas e, principalmente, naquela inquietação que sempre me acompanhou como empreendedor. Pois eu sabia que eu, novamente, poderia criar algo que ainda não existisse.
Empreender novamente não foi uma decisão simples. Quando todos na minha posição pensariam em anos sabáticos, não. Eu estava, novamente, decidindo criar uma nova história. Depois de mais de 20 anos criando negócios, vivendo ciclos de crescimento, conquistas, mudanças e recomeços, eu poderia imaginar que a experiência deixaria tudo mais fácil. NÃO DEIXA!
A experiência ajuda a enxergar alguns riscos antes. Ajuda a fazer perguntas melhores. Ajuda a entender que uma boa ideia, sozinha, não sustenta uma empresa. Mas ela não elimina o frio na barriga. Não reduz a responsabilidade. Traz novos aprendizados, como entender que algumas pessoas que você tinha certeza que estariam com você, mesmo sabendo da sua capacidade, simplesmente te viram as costas. Mas também mostram claramente quem sempre esteve ao seu lado. Uma certeza é clara: não existe respostas prontas.
Esses últimos 12 meses na Figo foram espetaculares, pois dia a dia ela se mostra cada vez mais próspera. Deixou de ser uma ideia que precisava virar realidade, para uma realidade.
A Figo nasceu com o propósito claro de aproximar fabricantes, lojistas, consultores e afiliados em um mesmo ecossistema de colaboração mútua. A ideia era levar mais oportunidades para o varejo físico, que está aos poucos perdendo espaço para o digital, usando tecnologia, marketplace e pagamentos para transformar uma simples maquininha em uma porta de acesso a uma prateleira praticamente infinita. Mais do que vender produtos, queríamos criar possibilidades.
Possibilidades para fabricantes ampliarem sua presença. Para lojistas encontrarem novas receitas. Para microempreendedores independentes construírem sua própria carteira de clientes. Para afiliados se enxergarem como microempreendedores, com autonomia, escolha e participação real no crescimento de um negócio.
Era uma visão grande. E toda visão grande exige paciência para ser construída. E isso eu tenho de sobra!
Existe uma parte do empreendedorismo que quase ninguém vê. É a fase anterior ao lançamento: aquela em que ainda não existem aplausos, grandes anúncios ou resultados para comemorar publicamente. Existem testes. Existem mudanças de rota. Existem reuniões que parecem não acabar. Existem decisões difíceis, recursos limitados e a necessidade constante de escolher onde colocar energia.
A Figo passou muito tempo sendo preparada antes de chegar ao mercado. Foram quase dois anos de construção, aprendizado e amadurecimento do modelo. Cada detalhe importava: tecnologia, parceiros, operação, proposta de valor, marca, canais comerciais e a experiência de quem estaria do outro lado usando a nossa solução.
Foi um período intenso, mas necessário. Afinal, uma empresa não nasce no dia em que abre as portas. Ela começa bem antes, quando alguém decide continuar acreditando mesmo sem ter todas as garantias.
Em abril de 2026, a Figo iniciou oficialmente sua operação. Esse momento teve um significado muito especial para mim. Lançar uma empresa é emocionante, mas não representa o fim de uma jornada. Na verdade, é quando começa a parte mais desafiadora: transformar propósito em execução diária, ajustar o que for preciso, ouvir o mercado e construir confiança, uma relação por vez. A partir dali, o que era projeto passou a ser realidade. Passamos a conversar ainda mais com parceiros, marcas, consultores, lojistas e pessoas que enxergam valor em uma nova forma de gerar vendas no varejo. A Figo começou a ganhar voz, presença e movimento.
Um dos marcos mais importantes desse período foi a participação da Figo no Fórum E-Commerce Brasil 2026, em julho. Foram dias intensos de conexões, conversas, aprendizados e oportunidades.
Estar naquele ambiente reforçou algo que eu já sentia desde o início: existe uma demanda real por soluções que conectem o digital ao físico de forma simples, comercial e acessível. Apresentar a Figo para milhares de pessoas foi mais do que mostrar uma plataforma ou uma maquininha. Foi dividir uma visão de futuro. Foi falar de novos canais de venda, de renda extra para microempreendedores, de distribuição para marcas e de um varejo mais conectado, pois une pagamento físico com venda online. Cada conversa trouxe uma possibilidade. Algumas podem virar parceria. Outras podem gerar aprendizado. Todas ajudaram a fortalecer a certeza de que estamos construindo algo relevante.
Eu escrevi meu livro Amor pra Recomeçar por conta de uma simples pergunta do meu filho, que hoje faz 14 anos. Ele me perguntou: “Pai, o que você faz?”. Foi ali que me dei conta de que não podemos deixar de lado nossa história. Foi ali que percebi que eu precisaria falar pra ele, de forma clara, como foi incrível minha vida até ali. Como foi viver, mesmo com tantos desafios, uma vida de realizações, mesmo aquelas super pequenas. Foi assim que nasceu em mim um sentimento: que eu deveria dizer a ele uma frase: “Mesmo que você tenha problemas, não deixe de seguir em frente. Se tiver que recomeçar mil vezes, recomece. Isso não é fraqueza. Recomeçar é coragem.” A Figo me reconectou com essa verdade. Mesmo depois de uma trajetória inteira empreendendo, criar algo novo nos obriga a voltar para o essencial: acreditar, aprender, escutar, corrigir, insistir e seguir em frente. Em muitos momentos, empreender é defender uma visão antes que ela seja compreendida por todos. É aceitar que nem tudo acontecerá no tempo que imaginamos. É entender que os desafios não significam que estamos no caminho errado. Muitas vezes, eles são justamente a confirmação de que estamos tentando construir algo que vale a pena.
Os últimos 12 meses me lembraram que empresas são feitas de pessoas, confiança e propósito. Tecnologia é fundamental, modelos de negócio são indispensáveis e estratégia é decisiva. Mas nada substitui a disposição de continuar quando o cenário ainda é incerto.
A Figo está apenas começando. Ainda temos muito a aprender, testar, ajustar e conquistar. Mas já existe uma base construída com trabalho, parceria e a vontade genuína de gerar prosperidade para quem caminha conosco.
O nome Figo surgiu de forma simples, quase intuitiva, e hoje carrega para mim um significado ainda maior: fertilidade, abundância e crescimento. É exatamente isso que desejo construir com todos os parceiros que acreditarem nessa jornada.
Depois de doze meses tão intensos, sigo com a mesma convicção que me trouxe até aqui: grandes transformações começam quando alguém decide transformar uma ideia em realidade.
E, muitas vezes, tudo o que precisamos para começar é coragem para recomeçar.
Escrevi esse texto hoje em homenagem ao meu filho Davi, pois desejo que ele, antes de qualquer coisa, saiba que foi difícil chegar até aqui, mas que eu faria tudo de novo. E com a certeza de que seria feliz novamente, todos os dias, como fui nessa minha jornada até aqui. Parabéns, Davisão. Te amo!

Quer saber mais da história, assista um podcast no youtube que participei recentemente.
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